BORDADOS QUE RESISTEM A QUALQUER CRISE!

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D. Adagmar apresentando na porta de sua casa os bordados feitos à mão. Créditos: João Lemos.

João Lemos

Linha bordada que cria a arte, linhas de sentimentos que marcam o tempo, a moda e o artesanato regional de Maceió. Tudo isso está presente numa vida desenhada pela sagacidade de Maria Adagmar da Conceição Santos de 62 anos, moradora do Conj. Luiz Pedro na Chã da Jaqueira. É na casa branquinha de n° 151 edificada já na descida para a estrada que dá acesso ao Parque Municipal de Bebedouro que reside essa artesã que através de delicados bordados e pintura a mão livre vem reinventando o espaço de trabalho produzido durante a quarentena.

Essa maceioense de coração e filha natural de Anadia veio para a capital ainda jovem deixando para trás as lavouras de mandioca e as brincadeiras do Pastoril descobrindo aqui o trançado maravilhoso do nosso bordado. “Nasci na Zona Rural de Anadia, ainda nova plantei muita mandioca e limpei roça com meus pais, naquela época brincávamos muito Pastoril. Quando terminava as apresentações saíamos cheias de dinheiro. Aos 18 me casei com Cícero e vim pra Maceió já carregando quatro filhos”. E ela sem lembrar-se do dia do casório, olhou para o esposo e indagou, “Cícero você ainda se lembra quando nos casamos?”. E o senhorzinho de pouco mais de 1.50m todo satisfeito disse, “estamos juntos há 44 anos, casamos em 28 de Março de 1978”. E com isso, o sorriso tomou conta do semblante de D. Maria Adagmar e do Cícero de 61 anos.

Detalhes dos bordados que duram cerca de 20 dias para ficarem prontos. Créditos: João Lemos.

Em Maceió, se instalou com a família na Chã da Jaqueira, depois vindo residir onde vive atualmente construindo moradia e educando os filhos. Aqui conheceu os trabalhos com bordados que milimetricamente desenhados surgem ao gosto da inspiração. “Comecei a trabalhar com os bordados na época em que estavam loteando o Conjunto Luiz Pedro, logo em seguida foram sendo ofertados cursos do SENAI aqui na comunidade e eu curiosa quis participar. Aprendi algumas técnicas e depois fui descobrindo outras na medida em que os clientes foram aparecendo.” Lembrou.

Com dificuldades financeiras Dona Adagmar encontrou no bordado um meio de ajudar na renda da família e manter a tradição dos bordados em sua comunidade. Mas, com o advento da pandemia as vendas foram caindo e hoje algumas dezenas de toalhas, panos de pratos, lençóis e outras fazendas aguardam o retorno do comércio para a venda.

“Com essa pandemia tudo piorou, estou sem meus clientes e não sei até onde iremos, mas, uma coisa tenho certeza que encontrarei meios que não deixarão e nem tiraram o meu prazer em fazer os bordados e as pinturas. Tudo isso que faço, faço porque gosto de fazer”, desabafou.

Toalhas, fronhas, lençóis, colchas e outros similares ganham vida nas mãos talentosas da artesã. Créditos: João Lemos.

Os panos de prato com bordados de crochê, ponto cruz, casinha de abelha, vagonite com e sem fita, fuxicos e outros similares custam em média R$ 10,00 reais e pode ser adquiridos através dos contatos: (82) 98837-7124 / 98875-6679 – whatsapp (Elizangela-filha). Até o momento a artesã não recebeu ajuda de nenhum órgão público, mesmo tendo a carteirinha do artesão e nem das associações de interesse do artesanato alagoano.

E Além de artesanato nas horas livres juntamente com o esposo participa dos ensaios do Guerreiro São Pedro Alagoano, ele como palhaço, ela como Rainha. “É a minha diversão brincar Guerreiro, há mais de 20 anos que eu brinco no São Pedro Alagoano e é onde eu ganho força para nunca desistir. Em Fevereiro deste ano sofri um derrame, mas com a graça de Deus estou me recuperando e vou voltar a brincar com toda a minha alegria”, disse.

Com a divulgação nas redes sociais, dona Adagmar vem ganhando força entre os internautas e nós torcemos que logo em breve ela possa mais uma vez comercializar seus produtos. Afinal! Quando há amor, não há crise que resista.

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